Pulmão

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"Uma resenha sobre saúde e doença respiratória para divulgar os principais temas da pneumologia ao público em geral."

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Pneumonia, a doença que mais mata crianças menores de 5 anos



A pneumonia é uma forma aguda de infecção respiratória que afeta os pulmões, mas apenas 30% das crianças infectadas recebem o tratamento adequado. A estimativa é que a doença mate 1,2 milhão de crianças menores de 5 anos todos os anos no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Sáude (OMS), mais de 99% dos óbitos provocados pela pneumonia são registrados em países em desenvolvimento.

Pneumonia pode ser causada por bactérias ou vírus e, mais raramente, outros agentes atípicos. Ela ocorre geralmente a partir de uma infecção de vias aéreas superiores, como gripes e resfriados.

Um dos sintomas da pneumonia em crianças ou bebês é a queda do estado de geral. A febre alta, assim como cansaço constante, tosse e um ruído característico nos pulmões que só os médicos conseguem detectar estão entre os sintomas muitas vezes ignorados de pneumonia, a doença infecciosa que mais mata crianças abaixo de 5 anos no mundo − mais que HIV, tuberculose, zika, ebola e malária juntas.

O diagnóstico de pneumonia em bebês de até três meses é sempre considerado grave e requer a internação. Nas crianças maiores, febre alta não é parâmetro para ser hospitalizada, mas, sim, insuficiência respiratória e baixa oxigenação - além de uma avaliação sobre se o menor conseguirá receber tratamento adequado em casa. Outro sintoma que não deve ser ignorado pelos pais é o cansaço dos filhos. Em uma gripe forte, por exemplo, observam-se períodos de melhora, mas na pneumonia há um estado de prostração constante.

Para caracterizar a doença, um ou vários desses sinais podem aparecer: tosse, dor no tórax, alterações da pressão arterial, expectoração com secreção amarelada, falta de ar, confusão mental, estado de fraqueza e cansaço constante, febre alta (mas ausência de febre não descarta a doença).

Quanto mais rápida for diagnosticada a pneumonia, mais rápida será a recuperação. O diagnóstico radiológico é eficaz para observar a inflamação dos pulmões, porém em muitos casos o médico consegue identificar a doença no consultório, ao escutar, com o auxílio de um estetoscópio, ruídos característicos da pneumonia, os estertores crepitantes, que parecem um barulho de velcro sendo aberto.

Muito Importante esclarecer sobre um termo que não devemos usar: o “princípio de pneumonia”. A criança tem ou não tem pneumonia. A doença pode estar restrita a uma área pequena do pulmão, mas não significa que está começando. Ela já existe. O problema é que os pais podem traduzir como algo bastante simples, não havendo empenho correto na busca por avaliação médica e tratamento, o que pode contribuir para a evolução para um quadro mais sério.

Para saber mais acesse o link: https://www.bbc.com/portuguese/geral-41907363

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Saiba mais sobre DPOC




Texto: Sonia Catarina de Abreu Figueiredo (médica pneumologista. professora da Faculdade de Medicina UFRJ)

O que é DPOC?

Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é caracterizada por obstrução brônquica progressiva e parcialmente reversível das vias aéreas e diminuição do fluxo aéreo expiratório.

DPOC afeta mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais 65% têm doença moderada ou grave e 3 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência dela. A elevada prevalência e gravidade da doença tornam seu custo econômico elevado. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, DPOC tornar-se-á a 3ª causa de morte no mundo em 2020. Estima-se que o número total de mortes por DPOC no mundo deva aumentar mais de 30% nos próximos anos.

A principal causa de DPOC é exposição à fumaça de cigarro, seja por tabagismo ativo ou passivo. O tabagismo causa destruição do tecido pulmonar (enfisema) e obstrução de vias aéreas com inflamação e muco (bronquite crônica). A poluição do ar, exposições a agentes profissionais e síndromes genéticas como a deficiência de alfa-1 antitripsina também são fatores que contribuem para a ocorrência da doença.

Tosse crônica pode ser DPOC

A maioria dos pacientes com DPOC costuma referir sintomas a partir da quinta ou sexta década de vida. Sintomas comuns de DPOC incluem dificuldade respiratória, tosse crônica, chiados no peito, desconforto torácico e infecções respiratórias frequentes. Ocorrem também diversos outros impactos na qualidade de vida do indivíduo, como limitação de sua capacidade para o trabalho e diminuição da tolerância aos exercícios.



DPOC costuma ser subdiagnosticada e devido ao não-diagnóstico muitos portadores de DPOC não são tratados adequadamente. Estudos demonstram que pacientes podem ter sintomas por mais de 2 anos antes que o diagnóstico seja firmado. Indivíduos em risco para DPOC devem ser submetidos à investigação diagnóstica que inclua espirometria.

Se você tem tosse crônica por pelo menos três meses do ano, durante 2 anos consecutivos, você pode ter DPOC. Embora não tenha cura, ela pode ser controlada e existem diversas estratégias para o manejo da doença. Evidências mostram que DPOC mal controlada causa deterioração rápida da função pulmonar e isso deve ser evitado.

Pacientes com quadros mais severos costumam ter exacerbações frequentes que podem variar de 1 a 4 episódios por ano. Exacerbações são definidas como condições onde há piora clínica significativa, a respiração se torna mais difícil e há aumento da tosse e produção de escarro. As exacerbações de DPOC são causas habituais de internações.

Infecções são as causas mais comuns de exacerbações de DPOC. Prevenir a ocorrência de exacerbações é importante para o controle da doença. É importante que o paciente com DPOC saiba reconhecer precocemente os sinais e sintomas de um quadro de exacerbação de forma que possa atuar prontamente para controlá-la.

As exacerbações da DPOC podem ser evitadas com a prescrição e aderência do melhor tratamento possível ao paciente. A redução do número de exacerbações e hospitalizações pode também ser alcançada com a cessação do tabagismo e vacinação contra influenza e antipneumocócica.