Pulmão

Pulmão
"Uma resenha sobre saúde e doença respiratória para divulgar os principais temas da pneumologia ao público em geral."

quarta-feira, 26 de abril de 2017



COMO AS EMOÇÕES AFETAM O PACIENTE ASMÁTICO?¹

Autoras: Natália Larissa Martins Lisbôa² E Caroline M. Baía³ (Alunas do 6º período do curso de graduação em medicina /UFRJ). Supervisão: Sonia Catarina de Abreu Figueiredo (médica pneumologista. professora da Faculdade de Medicina UFRJ)

A asma é uma doença inflamatória das vias aéreas ou brônquios (tubos que levam o ar para dentro dos pulmões) caracterizada pelos seguintes sintomas: falta de ar, sensação de aperto no peito, chiado no peito e tosse. Embora seja uma das doenças crônicas mais comuns em todo mundo, o acesso ao tratamento eficaz permite que a asma seja bem controlada na maioria dos pacientes, possibilitando a esses uma vida diária bem resolvida.
O desenvolvimento dessa doença está relacionado a vários fatores, como imunidade e genética do indivíduo bem como, seu estado emocional/psicológico. Assim, alguns estudos mostram a correlação entre pacientes com depressão, ansiedade e outras desordens psiquiátricas, principalmente em crianças e jovens, e a asma brônquica.
Como isso ocorre?
Dentre os possíveis mecanismos que podem estar associados, aqueles que levem ao aumento da vulnerabilidade a crise asmática e a menor resposta ao tratamento são os mais conhecidos.
“A maior prevalência de ansiedade entre pacientes com asma não controlada pode promover transtornos do humor, os quais, por sua vez, podem aumentar a percepção dos sintomas nesses pacientes, reduzindo assim sua percepção do controle da asma” foi publicado em 2011 na Revista Brasileira de Pneumologia.
Já em relação ao estresse, tem-se que o quadro psicológico crônico causa um estado pró-inflamatório crônico, com produção de substâncias que induzem a inflamação e a broncoconstrição (contração dos músculos que envolvem o brônquio, diminuindo a passagem de ar nas vias aéreas - uma das características da doença).
O conhecimento sobre os fatores envolvidos com a asma brônquica, principalmente, aqueles não tão comentados, como o estado emocional e psiquiátrico de portadores da doença é de extrema importância a fim de melhorar o tratamento de indivíduos que não respondem satisfatoriamente aos tratamentos convencionais e cuja as causas possam ser dessa origem. Dessa forma, abre-se o horizonte para um tratamento multidisciplinar, o qual pode mudar substancialmente a vida de muitos asmáticos.

Referências:
• Asthma and mental health among youth: etiology, current knowledge and future directions- (Renee D Goodwin,Frank C Bandiera, Dara Steinberg, Alexander N Ortegaand Jonathan M Feldman) Expert Rev. Respir. Med. 6(4), 397–406 (2012)

• Ansiedade e depressão em pacientes com asma: impacto no controle da asma*
Anxietyanddepression in asthmapatients: impactonasthmacontrol - (Aline Arlindo Vieira, Ilka Lopes Santoro, Samir Dracoulakis, Lilian Ballini Caetano, Ana Luisa Godoy Fernandes) - 2011

¹ O presente texto é resultado das atividades desenvolvidas no setor de Telemedicina do IDT para Introdução às Tecnologias Aplicadas à Saúde e à Educação.

²

³

terça-feira, 28 de março de 2017



O Texto abaixo é resultado de uma entrevista realizada por alunas do Curso de Medicina da UFRJ, como parte das atividades desenvolvidas no setor de Telemedicina do IDT para Introdução às Tecnologias Aplicadas à Saúde e à Educação.

ENTREVISTADO: Drª Fernanda Carvalho de Queiroz Mello¹ (Professora da Faculdade de Medicina / UFRJ)

ENTREVISTADORAS: Natália Larissa Martins Lisbôa² E Caroline M. Baía³ (Alunas do 5º período do curso de graduação em medicina /UFRJ). Supervisão e edição: Profa. Sonia Catarina de Abreu Figueiredo

1) O que é a tuberculose? Quais são os sintomas?
A tuberculose é uma doença infecto contagiosa causada pelo bacilo de Koch, que é um bacilo álcool - ácido resistente, e sua forma de apresentação mais frequente é a forma pulmonar. Os sintomas mais frequentes são tosse, com ou sem expectoração (que pode eventualmente ter raios de sangue ou não), febre (frequentemente vespertina), sudorese noturna, astenia e emagrecimento.
2) Há outras formas de tuberculose, além da pulmonar?
Sim. A tuberculose pode acometer outros órgãos, mas em geral o quadro é de febre, astenia e emagrecimento, com outros sintomas associados ao funcionamento do órgão acometido.
3) Como ocorre a transmissão da tuberculose?
A transmissão se dá por via aérea, pela tosse, espirro, ou fala do paciente portador da forma respiratória (pulmonar ou laríngea) que, pela movimentação da coluna de ar pelo trato respiratório, elimina o bacilo para o meio ambiente, assim permitindo que outro indivíduo susceptível venha a inalar o agente infeccioso. O indivíduo se infecta pelo bacilo por meio da sua inalação. Apenas cerca de 10% dos indivíduos infectados desenvolverão a doença ativa (5% vão adoecer nos primeiros dois anos após a infecção, e os outros 5% no decorrer de toda sua vida). NÃO há risco significativo de transmissão por meio de copos, talheres, roupas ou lençóis.
4) Como se desenvolve a tuberculose extrapulmonar?
A partir da primo-infecção pulmonar, ocorre uma breve disseminação sanguínea do bacilo, e isso explica a ocorrência da forma extrapulmonar.
5) Como se proteger?
O cuidado deve ser o mesmo de controle de outras doenças de transmissão aérea. Manter sempre os ambientes bem ventilados.
6) E a vacina BCG para que serve?
A vacinação é recomendada a todos os recém-nascidos com o intuito de prevenir as formas graves e disseminadas da doença. Isto é feito por meio da vacinação por BCG, que é disponibilizada nas unidades de saúde do nosso país pelo SUS a todos os recém-nascidos. Vale ressaltar que a vacina BCG não protege o adulto das formas pulmonares e extrapulmonares.
7) Onde e como procurar tratamento no SUS?
O tratamento da tuberculose é feito pelo SUS, sendo gratuito e disponibilizado para toda a população brasileira. O programa de controle de tuberculose no país está integrado a Estratégia de Saúde da Família, por meio das clinicas da família. É muito importante conscientizar a população sobre a necessidade de procurar uma Unidade de Saúde quando houver tosse persistente há mais de três semanas, para investigação tuberculose ativa. Caso o caso seja confirmado, o tratamento deve ser iniciado naquela Unidade mais próxima do indivíduo o mais rápido possível, para interromper a cadeia de transmissão da doença. Casos mais complexos são encaminhados para hospitais de atenção terciária especializados no assunto, e seguem tratamento que demandem ajuste terapêutico e controle de efeitos adversos.
Vale ressaltar que os contatos, principalmente intradomiciliares, de um caso de tuberculose pulmonar devem ser orientados a procurar a equipe de Saúde da família para que seja avaliado se existe mais alguém doente nesse grupo de convívio próximo. Se for identificado, deve ser tratado também. Além disso, deve-se identificar, dentro desse grupo, os indivíduos portadores do bacilo que estão assintomáticos; ou seja, aqueles infectados, mas sem doença ativa. Para esses indivíduos, há a conduta preventiva para a doença ativa, de acordo com a faixa etária e os riscos de adoecimento.
8) O que acontece quando há resistência da doença?
Como a maioria dos pacientes diagnosticados apresenta uma resposta terapêutica favorável nas primeiras semanas de tratamento, muitos interrompem o seu uso regular, apesar da necessidade de manutenção do tratamento por, no mínimo, seis meses para atingirmos a cura da doença. O uso irregular dos medicamentos seleciona bacilos resistentes, causando um sério problema de saúde pública porque esses bacilos resistentes não respondem ao esquema básico de tratamento, e isto faz com que esses indivíduos passem a ter a necessidade de utilizar medicamentos que apresentam mais efeitos adversos e que têm um menor potencial de cura. Tanto o esquema básico quanto aquele utilizado para indivíduos com bacilo resistentes são fornecidos pelo SUS, mas existem referências para esquemas de multirresistência integradas à Estratégia de Saúde da Família.
Links:
Site Ministério da Saúde sobre TB. (disponibilizar no fim da postagem )
Site Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) (disponibilizar no fim da postagem)

¹
Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1991), mestrado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1998), doutorado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001) e pós-doutorado na JHU (Johns Hopkins University). Atualmente é professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordenadora do Ambulatório de Tisiologia do Instituto de Doenças do Tórax da Universidade Federal do Rio de Janeiro de 2003 a 2013. Coordenadora de Ensino do Instituto de Doenças do Tórax da Universidade Federal do Rio de Janeiro de 2009 a 2013. Membro do Conselho Deliberativo da Pós Graduação em Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFRJ (Conceito 7) desde 2009. Membro do Conselho de Ensino de Graduação da UFRJ 2012-2014. Diretora do Instituto de Doenças do Tórax desde junho de 2013.Coordenadora do Comitê de Tuberculose da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Tisiopneumologia, atuando principalmente nos seguintes temas: tuberculose, micobacterioses não tuberculosas, micobacteriologia, biologia molecular, diagnóstico, farmacogenética, e ensaios clínicos. Fator H=16.

²

³