Pulmão

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"Uma resenha sobre saúde e doença respiratória para divulgar os principais temas da pneumologia ao público em geral."

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Associação álcool e tuberculose

(Foto extraída de: https://iogt.org/wp-content/uploads/2014/07/2015-07-30-09.23.14-700x700.jpg)

Texto de: Carla Conceição dos Santos¹

A tuberculose (TB) se mantém como um importante problema de saúde pública mundial, embora os esforços para controlar a epidemia tenham conseguido reduzir sua mortalidade e incidência. Entretanto, vários fatores predisponentes precisam ainda ser enfrentados a fim de reduzir a carga global da doença. Em 2018, o Brasil registrou 72 mil novos casos de tuberculose, segundo o Ministério da Saúde (MS). No ano anterior, foram 73 mil. Segundo o MS, a doença tem relação direta com a pobreza e a exclusão social.

Algumas condições contribuem para o desenvolvimento da doença, entre elas está o consumo de álcool, ou sua dependência, durante o tratamento da TB. O alcoolismo crônico é considerado importante fator de risco para o desenvolvimento da tuberculose, visto que há alta incidência de casos e de formas mais avançadas de tuberculose pulmonar entre esses pacientes. Pesquisadores assinalam que o alcoolismo é um fator que altera negativamente a resistência individual porque o etilista encontra no álcool suficientes calorias e não se alimenta bem. Está propenso a uma gastrite, que por sua vez produz inapetência, agravando o estado nutricional, baixando a resistência e finalmente aumentando o risco do indivíduo de adquirir a tuberculose.

Embora o consumo de álcool seja considerado socialmente aceitável em todo o mundo, ele pode levar à dependência. Os problemas de consumo de álcool variam amplamente. O uso nocivo do álcool está classificado entre os cinco principais fatores de risco para doenças, incapacidades e morte, além de ser um fator causal em mais de 200 doenças e danos à saúde, incluindo a tuberculose, em todo o mundo. Estima-se que aproximadamente 10% de todos os casos de tuberculose são atribuíveis ao uso de álcool.

O problema deve ser tratado na comunidade e, também, mais considerado pela equipe de saúde que trabalha diretamente com doentes de TB, buscando encontrar meios precisos de identificar esses pacientes e oferecer tratamento concomitante ao uso ou abuso de álcool.

Os alcoolistas apresentaram probabilidade quase quatro vezes maior de abandonar o tratamento. A sensação de recuperação de saúde, o uso da bebida alcoólica ou drogas e o desconforto do tratamento – incluindo efeitos adversos – são motivos para o abandono do tratamento.

Caso o tratamento não seja realizado da forma recomendada, o indivíduo pode desenvolver o tipo resistente da doença, denominada tuberculose drogarresistente (TB-DR), que requer tempo de tratamento prolongado, podendo chegar a dois anos, e uso de um número maior de medicamentos tuberculostáticos.

A prevenção e o tratamento de abuso de substâncias, incluindo o uso nocivo do álcool, devem fazer parte da abordagem de tratamento dessa população de indivíduos portadores de TB. Nestes casos, o monitoramento da aderência ao tratamento, para evitar o abandono, merece especial atenção.

¹
Enfermeira, mestre em Ciências pela UFRJ, atuando no Laboratório de Pesquisa em Tuberculose/Instituto de Doenças do Tórax desde 2003, Parecerista do Comitê de Ética em Pesquisa/ Hospital Universitário Clementino Fraga Filho desde 2015, desenvolvendo ações de capacitação na Unidade de Telemedicina nas áreas de Telessaúde e EAD desde 2016.

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