Pulmão

Pulmão
"Uma resenha sobre saúde e doença respiratória para divulgar os principais temas da pneumologia ao público em geral."

sexta-feira, 22 de junho de 2018

TUBERCULOSE: MITOS & VERDADES



Texto de: Carla Santos¹

A tuberculose permanece como um grave problema de saúde pública no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a doença infecciosa de agente único que mais mata, superando o HIV. Em 2016, 10,4 milhões de pessoas adoeceram de tuberculose no mundo e cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em decorrência da doença.

O QUE É MITO OU VERDADE SOBRE A TUBERCULOSE?

A tuberculose atinge qualquer pessoa?
Sim, independente da classe econômica, cor ou idade, porém o risco de adoecimento é maior em um grupo de indivíduos que, por algum motivo, estão com a defesa do organismo diminuída, ou em pessoas que convivem próximas ao doente com tuberculose, seja em casa, no trabalho, em hospitais, em prisões ou albergues.

A tuberculose tem cura?
Sim. Todo paciente que se infectar com um bacilo sensível aos medicamentos e fizer o tratamento corretamente pelo tempo e nas doses determinadas pela equipe de saúde ficará curado.

Mas no caso de eu ter uma boa alimentação e mantiver repouso, mesmo assim eu tenho que usar remédio por 6 meses?
Sim. Está cientificamente comprovado que o que cura definitivamente a tuberculose são os remédios. Só ficará curado da tuberculose o indivíduo que tomar os remédios regularmente, pelo período de tempo exato prescrito. Além disso, é importante que ele tome os medicamentos todos os dias, a não ser que haja uma determinação diferente.

Quem teve tuberculose na família, tem mais chance de adquirir doença?
Não. O fato de pertencerem à mesma família não aumenta o risco de tuberculose. O que aumenta esse risco é a intensidade do contato entre você e a pessoa doente e há quanto tempo isso ocorreu.

Então a tuberculose só atinge o pulmão?
Não, a tuberculose pode também atingir a pleura, a laringe (garganta), os gânglios linfáticos (nas ínguas do pescoço, da axila, da virilha), as meninges, os ossos, o sistema urinário, os intestinos, a pele, dentre outras localizações.

Fumar causa tuberculose?
Não. Fumar causa câncer de vários locais como laringe, estômago, pulmão, além de enfisema pulmonar, bronquite crônica, infarto agudo do miocárdio, porém fumar não causa tuberculose.

Existe vacina para tuberculose?
Sim. Ela se chama BCG, que é a sigla para bacilo de Calmette-Guérin. Essa vacina é produzida com o bacilo atenuado, ou seja, incapaz de produzir a doença. Ela tem seu efeito comprovado na proteção contra as formas graves de tuberculose em crianças.

Fazendo tratamento para tuberculose, eu posso beijar na boca?
Após duas semanas de tratamento pode. Embora a tuberculose não passe pela saliva, o beijo na boca deve ser evitado nas duas primeiras semanas de tratamento.

A mãe com tuberculose pode amamentar?
Sim, sem problema algum. Mas se a mãe está com o exame de escarro positivo para tuberculose e está usando medicamentos a menos de duas semanas, é recomendado que ela use máscara quando for amamentar ou se aproximar da criança.

A mãe teve tuberculose quando estava grávida e a filha teve um diagnóstico de asma, tem alguma relação entre a tuberculose e asma?
Não. A asma não tem nenhuma relação com a tuberculose da mãe.

Referências:

Boletim epidemiológico: Nº 11, 2018: Implantação do Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública no Brasil: primeiros passos rumo ao alcance das metas.

Conde, M.B et al. Tuberculose sem medo, 2002.

¹ Enfermeira, mestre em Ciências pela UFRJ, atuando no Laboratório de Pesquisa em Tuberculose/Instituto de Doenças do Tórax desde 2003, Parecerista do Comitê de Ética em Pesquisa/ Hospital Universitário Clementino Fraga Filho desde 2015, desenvolvendo ações de capacitação na Unidade de Telemedicina nas áreas de Telessaúde e EAD desde 2016.









sexta-feira, 15 de junho de 2018

Poluição do ar não é exclusividade de alguns países



AUTORAS: Caroline Baía¹ e Natália Lisbôa² (alunas do 8º período do curso de medicina /UFRJ).

SUPERVISÃO E EDIÇÃO: Profª Sonia Catarina de Abreu Figueiredo³

No dia 02 de maio de 2018 foi publicada a matéria: “Nove em cada 10 pessoas no mundo respiram ar contaminado, alerta OMS” pelo jornal O Globo (https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/nove-em-cada-10-pessoas-no-mundo-respiram-ar-contaminado-alerta-oms-22644748).

A reportagem nos leva a constatar que a poluição atmosférica não é uma condição restrita a países pobres ou emergentes, como a China, mas sim um problema mundial.

Até mesmo o Brasil, um país que abriga em seu território a maior floresta tropical do mundo, apresenta altos índices de poluição do ar atribuídos a queimadas no campo, às emissões de veículos nas áreas urbanas e às indústrias.

Agravos à saúde relacionados com a poluição do ar

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), nove em cada dez pessoas vivem em lugares onde respiram poluentes, em especial o chamado material particulado (MP), em concentrações acima das recomendadas pela própria organização. Estas partículas, principalmente as menores, vão parar nos pulmões, com as mais “finas” chegando a entrar na corrente sanguínea, o que leva à ocorrência de doenças respiratórias e cardiovasculares.

A cada ano, cerca de três milhões de pessoas morrem por doenças associadas à poluição do ar em espaços abertos. A grande maioria desses óbitos ocorre em países pobres ou em desenvolvimento com políticas públicas que não priorizam o acesso a tecnologias limpas e onde a industrialização ocorre de maneira desregulada.

Diversas doenças estão associadas de maneira inequívoca à poluição. Dentre os danos à saúde, destacam-se aqueles produzidos no sistema respiratório, como infecções agudas do sistema respiratório inferior (pneumonia) e exacerbação de doenças como asma, bronquite e câncer de pulmão, principalmente nos meses mais frios no Brasil, já que ocorre mais comumente a inversão térmica e o fenômeno conhecido por smog (origem inglesa (smoke = fumaça + fog = neblina; neblina densa de fumaça).

“Em todas as cidades brasileiras onde há monitoramento da qualidade do ar os níveis de poluentes estão acima dos recomendados pelo OMS – resume Evangelina Vormitagg, médica patologista clínica que também é diretora-presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade, dedicado ao estudo e comunicação da relação entre poluição e saúde humana.”

A saúde da população está intimamente atrelada ao meio ambiente. Pesquisas diversas têm alertado sobre os riscos da poluição ambiental, em especial do ar, aos diversos sistemas do corpo humano. Com isso, mostra-se cada vez mais necessário o acesso das pessoas a esses dados para que mecanismos mais eficazes sejam pensados e realizados para evitar tantos danos, principalmente, nos portadores de doenças respiratórias ou na população mais vulnerável, como crianças e idosos.

¹

²

³ É professora do departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 1995. Coordenadora de Telemedicina do Instituto de Doenças do Tórax desde 2008.

Siga nosso blog!!!