Pulmão

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"Uma resenha sobre saúde e doença respiratória para divulgar os principais temas da pneumologia ao público em geral."

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Cigarros eletrônicos e asma: é seguro?

 


Vaporizar (vaping) é o ato de inalar e exalar um vapor produzido por cigarros eletrônicos ou dispositivos similares que não produzem fumaça. Cigarros eletrônicos usam um dispositivo alimentado por bateria para aquecer uma solução contendo nicotina, aromatizantes e outras substâncias que são inaladas como vapor ou aerossol. Tais dispositivos atingem temperaturas entre 300 e 400ºC, o que leva a uma combustão incompleta de substâncias altamente nocivas para o organismo.

Quando aquecido dentro do cigarro eletrônico, o líquido se transforma em um aerossol que é inalado para os pulmões. O líquido contém substâncias químicas que, quando inaladas, podem causar ou agravar doenças pulmonares, incluindo asma. A composição do aerossol do cigarro eletrônico é definida pela temperatura e pelo conteúdo do líquido aquecido, como propilenoglicol, glicerina, aromatizantes, nicotina e outras substâncias em concentrações variáveis.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por exacerbações e remissões, que afeta de 1 a 18% da população mundial. Diversos fatores contribuem para o agravamento da inflamação das vias aéreas em pacientes asmáticos, sendo o tabagismo um dos principais. Fumantes asmáticos sofrem de mais sintomas e exacerbações, desenvolvem um declínio mais rápido na função pulmonar e têm um prognóstico pior do que asmáticos não fumantes.

O uso de cigarros eletrônicos de qualquer tipo pode causar ou contribuir para doenças pulmonares. A maioria dos dispositivos de vaporização contém substâncias potencialmente tóxicas, incluindo produtos químicos, metais e compostos orgânicos voláteis, alguns dos quais estão associados ao desenvolvimento de asma e danos celulares.

Usar cigarros eletrônicos é prejudicial à saúde pulmonar

Um estudo recente demonstrou que pessoas que usam cigarros eletrônicos têm um risco maior de apresentar sintomas de asma, como tosse, chiados no peito, secreção no peito e falta de ar. Certos componentes dos cigarros eletrônicos foram associados a esses sintomas. Pesquisas mostram que o uso de cigarros eletrônicos por pessoas com asma agrava os sintomas da doença.

Evidências sugerem que muitos compostos existentes nos dispositivos eletrônicos para fumar podem contribuir para a patogênese da asma. A função pulmonar parece deteriorar-se na população asmática, enquanto a inflamação das vias aéreas se altera, sendo o agravamento da inflamação do tipo T-helper 2 (Th2) o efeito mais proeminente, embora não o único. O cigarro eletrônico também aumenta a frequência e a gravidade das exacerbações em asmáticos, induz toxicidade por estresse oxidativo em células pulmonares e libera citocinas pró-inflamatórias.

Vaporização pode prejudicar a capacidade do pulmão de combater infecções, aumentando o risco de pneumonia e causando crises mais graves de asma. Qualquer produto que produza a inalação de drogas ou substâncias químicas deve ser motivo de alerta para quem sofre de asma. Pacientes asmáticos devem evitar o uso de cigarro eletrônico.

 


sexta-feira, 28 de maio de 2021

Tabagismo e Covid-19: o que há de novo?

 

No próximo dia 31 de maio, comemora-se o Dia Mundial Sem Tabaco. A data costuma ser marcada por intensas campanhas de combate ao fumo e muitos eventos que ajudam a discutir o assunto. No entanto, trata-se de mais um ano em que a abordagem acontece dentro do contexto da pandemia de Covid-19. Desse modo, queremos trazer aqui um panorama atual dessa correlação. Aproveitamos, para isso, um artigo publicado na Revista Portuguesa de Pneumologia, março/abril de 2021. Encabeçado pela Dra. Claudia Pavão Matos, da Fundação Champalimaud, o artigo traz algumas considerações sobre o que se tem de resultados científicos confiáveis até o momento, além de apontar condutas a serem adotadas pelos profissionais.

É importante se ter claro que o tabagismo é comprovadamente um fator de risco para diversas doenças, incluindo cânceres, doenças cardiovasculares e respiratórias, além de diversas doenças crônicas e que, essas mesmas doenças, são fatores de risco para morte por Covid-19. A queima dos componentes químicos do cigarro resulta em uma fumaça tóxica que funciona como imunossupressor, ou seja, deixa os indivíduos mais vulneráveis às infecções. Há, inclusive, estudos que apontam uma probabilidade 34% maior de fumantes desenvolverem doenças como a influenza em relação aos não fumantes, também de maior risco de internação, além de risco maior de mortalidade por outros coronavírus.

Alguns hábitos podem tornar os fumantes mais propensos ao desenvolvimento e disseminação de infecções. Entre esses hábitos podem ser citados o contato frequente entre mão e boca (uma das principais vias de infecção) e o compartilhamento de produtos de tabaco, como cigarros eletrônicos e narguilé, por exemplo. De acordo com o artigo português, um estudo recente, realizado entre adolescentes e jovens adultos, mostrou que o diagnóstico positivo para Covid-19 foi: 5 vezes mais provável entre pessoas que sempre utilizaram cigarros eletrônicos e 7 vezes mais provável entre usuários duplos.

As evidências científicas disponíveis sobre a associação entre o tabagismo e a gravidade da doença são escassas e, algumas vezes, contraditórias, mas a OMS alertou para que se tenha "cuidado ao ampliar alegações não comprovadas de que o tabaco ou a nicotina podem reduzir o risco de COVID-19", tendo em vista que alguns estudos recentes, não revisados, trazem alegações de que a nicotina e/ou tabaco poderiam ter efeito protetor em fumantes em relação a doença. Tais alegações podem trazer sérios riscos a saúde pública por conter conclusões que não estão bem fundamentadas e por haver claro conflito ético em alguns casos, como uma pesquisa que recebeu financiamento da indústria do tabaco. No entanto, é importante ressaltar que a maior parte dos estudos apresenta problemas no que diz respeito ao tabagismo – o artigo aponta que uma recente revisão revelou que apenas 26% de 256 estudos “relataram status atual, anterior e nunca fumante, e uma alta proporção não fez distinção entre dados ausentes e nunca fumantes”.

Ainda que escassas, as boas evidências científicas mostram uma associação entre tabagismo e gravidade da Covid-19. O artigo cita três estudos de revisão que apontam nesse sentido:

- Revisão sistemática de Vardavas e Nikatara sobre 5 estudos chineses trouxe como resultado: risco 1,4 maior de risco para forma grave da doença em fumantes em relação a não fumantes; risco 2,4 maior para internação em terapia intensiva, ventilação mecânica ou morte.

- Meta-análise de Patanavanich e Glantz que incluiu 19 estudos (11.590 pacientes com Covid-19) e resultou em uma associação entre tabagismo e agravamento da Covid-19.

- Artigo de revisão recente que incluiu 8 revisões sistemáticas ou metanálises que apontou evidências da associação entre tabagismo e a gravidade da doença.

Concluindo que as dificuldades de avaliação estejam relacionadas a qualidade dos registros médicos que pode ser negligente no que diz respeito ao relatório do status de tabagismo, o artigo sugere a necessidade de “estudos populacionais bem desenhados, controlados para outros fatores de risco” para ajudar a resolver a questão. Além disso, a cessação do tabagismo ainda é considerada importante para a redução da transmissão e gravidade da doença – o que torna as medidas para redução do tabagismo essenciais também para o controle da pandemia. Dessa forma, o artigo fornece algumas recomendações que podem ser seguidas

1.    -  Fazer o registro de história do tabagismo em todos os pacientes de Covid-19.

2.     - Promoção dos programas de cessação de tabagismo para todos, incluindo profissionais de saúde. Análise de CO apenas com medidas de proteção adequadas (uso de bocais descartáveis etc.).

3.     - Facilitar o uso de terapia de reposição de nicotina para profissionais de saúde que fumam durante seus turnos de trabalho.

4.     - Recomendações contra o compartilhamento de produtos do tabaco;

5.     - Recomendações para fumar apenas em áreas autorizadas;

6.     - Priorizar fumantes como grupo de risco para infecção.

7.     - Promover a cessação do tabagismo na comunidade.

8.     - Ampliar as medidas de controle do tabagismo, como as políticas que envolvem leis antifumo, controle de propaganda e marketing, além da comercialização de certos produtos fumígeros.


Leia mais em Revista Portuguesa de Pneumologia


segunda-feira, 17 de maio de 2021

“Quiz: Cigarro eletrônico - Malefícios para a saúde”



Recentemente publicamos um vídeo sobre cigarro eletrônico aqui no blog. Agora trazemos o segundo vídeo, em formato de Quiz, para que você possa testar seus conhecimentos.

Este vídeo foi desenvolvido pelas alunas Adriana Lima Barbosa, Carolina de Assis Pinto Ferreira e Fernanda de Araújo Verdant Pereira, da Faculdade de Odontologia da UFRJ, sobre o tema Cigarro Eletrônico e sob a supervisão dos professores Anna Thereza Thomé Leão e Carmelo Sansone e do doutor Alberto Araújo.

Você também pode acessar o vídeo pelo Youtube

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Cigarro Eletrônico


Este vídeo foi desenvolvido pelas alunas Adriana Lima Barbosa, Carolina de Assis Pinto Ferreira e Fernanda de Araújo Verdant Pereira, da Faculdade de Odontologia da UFRJ, sobre o tema Cigarro Eletrônico e sob a supervisão dos professores Anna Thereza Thomé Leão e Carmelo Sansone e do doutor Alberto Araújo.

Você também pode acessar o vídeo pelo Youtube

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Dia Mundial da Pneumonia: o que é importante saber sobre a doença?

 


A pneumonia é uma infecção respiratória frequente que pode ser potencialmente grave, em especial em crianças e idosos. Pneumonias são responsáveis por um número significativo de mortes a cada ano. O Dia Mundial da pneumonia foi estabelecido pela primeira vez em 2009 para aumentar a conscientização sobre essa condição e é comemorado em 12 de novembro de cada ano.

De acordo com a OMS, a pneumonia é a principal causa de morte por infecção em crianças menores de 5 anos de idade no mundo.  Ela é responsável por 15% do total de mortes de crianças menores de 5 anos.

A pneumonia é uma infecção respiratória que afeta os pulmões e, nesta condição, os alvéolos de um ou ambos os pulmões são inundados por conteúdo inflamatório. O quadro respiratório pode variar de leve a grave. A depender do grau de comprometimento pulmonar e das condições de imunidade do indivíduo acometido, o curso da doença pode ser grave e fatal.

Crianças menores de 2 anos e adultos maiores de 65 anos correm maior risco de desenvolverem formas graves de pneumonia.

As bactérias são a causa mais comum de pneumonia que pode ocorrer como um evento isolado ou pode se desenvolver após infecções virais. Vários tipos diferentes de bactérias podem causar pneumonia, como Streptococcus pneumonia, Legionella pneumophila, Mycoplasma pneumonia, entre outras.

Outros organismos, como vírus e fungos também podem causar pneumonia. Embora pneumonias virais geralmente sejam mais leves, em alguns casos, a gravidade da condição pode exigir intervenção médica imediata. Pneumonias fúngicas são mais comuns em indivíduos com problemas crônicos de saúde ou sistema imunológico enfraquecido.

Os sintomas de pneumonia podem ser facilmente confundidos com gripe ou resfriado. Além disso, podem variar também de acordo com o microrganismo que desencadeou o processo infeccioso e as condições prévias do hospedeiro.

São sintomas predominantes de pneumonia: febre alta com calafrios ou suor; tosse com presença de secreção respiratória; dor no peito que pode piorar ao tossir e dificuldade para respirar. Podem ocorrer ainda perda de apetite, dor de cabeça e fadiga, aceleração dos batimentos cardíacos e náuseas, vômito e diarreia.

Cuidados básicos de higiene como lavar as mãos regularmente ou usar um desinfetante a base de álcool são importantes para prevenir infecções respiratórias. O uso de vacinas contra a gripe ou pneumonia, na população suscetível a quadros graves, como crianças e idosos é recomendada. Ficar atento aos sintomas sugestivos da pneumonia e procurar auxílio médico precocemente pode influir positivamente no desfecho da doença.


sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Dia Mundial do Pulmão – 2020



O Dia Mundial do Pulmão, ou World Lung Day em inglês, é comemorado no dia 25 de setembro e representa um dia de promoção e defesa da saúde pulmonar – oportunidade para unir forças e promover o tema em todo o mundo.

Em comemoração à data, trazemos abaixo um texto originalmente publicado pelo Forum of International Societies (FIRS) em 24 de setembro.




Grupos pedem pesquisas para prevenir, detectar e tratar infecções respiratórias

O FIRS, membros e organizações parceiras do World Lung Day estão unidos para defender a saúde respiratória em todo o mundo e pedir mais pesquisas para prevenir, detectar e tratar infecções respiratórias. Em 2020, a pandemia do coronavírus (COVID-19) tornou o mundo ciente de como os vírus respiratórios podem ser mortais. Na realidade, as infecções respiratórias estão conosco há muito tempo e continuarão a ser uma das principais fontes de sofrimento e morte humana. 

Além dos vírus, existem muitos outros agentes de infecção respiratória que causam diversas doenças. Esses agentes incluem bactérias, fungos e outros microrganismos que podem infectar as vias aéreas superiores (nariz, seios da face e garganta) e/ou  as vias respiratórias inferiores e os pulmões e podem causar pneumonias e sintomas pulmonares como tosse, expectoração, falta de ar e dor no peito, bem como sintomas gerais como febre, mal-estar e perda de peso.

As infecções respiratórias são um grande problema de saúde mundial:

·       Pneumonia mata milhões de pessoas anualmente. 80% das mortes por pneumonia ocorrem em crianças com menos de 2 anos e adultos acima de 65 anos. A cada ano, quase 700.00 crianças morrem de pneumonia no mundo. A maioria das mortes por pneumonia ocorrem em países de baixa e média renda;

·        A cada ano, ocorrem 10 milhões de novos casos de tuberculose e 1,5 milhão de mortes. Mais de 95% as mortes por tuberculose ocorrem em países de baixa e média renda;

·       As infecções respiratórias virais podem acarretar epidemias e se espalhar rapidamente nas comunidades, tornando-se epidemias globais. COVID-19 é um exemplo de infecção respiratória viral que afetou mais de 25 milhões de pessoas em todo o mundo – quase 860.000 pessoas morreram até o início de setembro de 2020. A carga da doença continuará a aumentar exponencialmente no futuro próximo.


O Dia Mundial do Pulmão é uma data anual de conscientização sobre a saúde pulmonar. Até o momento, quase 200 organizações e muitos indivíduos apoiam a data por meio de ações e defesa da saúde pulmonar. Este ano, com a saúde respiratória em destaque em virtude da COVID-19, abre-se uma grande oportunidade para aumentar a conscientização sobre o peso das infecções respiratórias e pedir ações mais efetivas e educativas em saúde. 

Para saber mais, acesse FIRS

 




 

sábado, 19 de setembro de 2020

Saiba o que é broncoaspiração

 


Texto: Sonia Catarina de Abreu Figueiredo (médica pneumologista. professora da Faculdade de Medicina UFRJ)

Broncoaspiração é uma condição onde substâncias como alimentos, líquidos, saliva ou vômitos são aspirados para os pulmões.  Além da ingestão de alimentos, broncoaspiração pode resultar do retorno de conteúdo gástrico em direção à árvore brônquica.

Qualquer que seja a origem ou natureza do conteúdo aspirado, a aspiração pode causar inflamação pulmonar (pneumonite química), infecção (pneumonia bacteriana ou abscesso pulmonar) ou obstrução das vias aéreas.  A maioria dos episódios de aspiração provoca sintomas leves ou pneumonite, em vez de infecção ou obstrução, e alguns pacientes aspiram sem apresentar sequelas, mas alguns casos onde ocorre obstrução de vias aéreas podem resultar em morte por asfixia.  

Indivíduos saudáveis comumente aspiram pequenas quantidades de secreções orais, mas os mecanismos de defesa do aparelho respiratório geralmente eliminam o inóculo sem maior repercussão. A aspiração de grandes volumes ou a aspiração em paciente com comprometimento das defesas pulmonares com frequência provoca pneumonia e/ou abscesso pulmonar. Pacientes idosos tendem a aspirar por causa de condições associadas ao envelhecimento que alteram a consciência, como o uso de sedativos e distúrbios neurológicos, como a Doença de Parkinson, por exemplo.

 

Fonte: https://thumbs.gfycat.com/AgreeablePhonyArmyant-size_restricted.gif

Condições em que há deglutição prejudicada, vômitos e doença do refluxo gastroesofágico são causas habituais de broncoaspiração. Outros fatores de risco para aspiração brônquica são: cognição ou nível de consciência prejudicado, procedimentos odontológicos, colocação de onda nasogástrica ou tubo endotraqueal.

Os sinais e sintomas incluem tosse, febre, dispneia e desconforto no peito. Em alguns casos de aspiração crônica decorrente de doenças do aparelho digestivo, podem ocorrer engasgos e dor à deglutição. A pneumonia provocada por aspiração maciça de conteúdo gástrico causa dispneia, taquipneia, taquicardia, hipoxemia, estertores difusos e sibilos e pode evoluir para choque séptico.

O tratamento dos quadros de broncoaspiração frequentemente requer antibióticos, suplementação de oxigênio e ventilação mecânica.

Estratégias para prevenir a espiração brônquica são importantes para os cuidados e desfechos clínicos. Pacientes com diminuição do nível de consciência devem evitar a ingestão oral de alimentos e manter a cabeceira do leito elevada acima de 30 graus. Pacientes com disfagia leve podem usar dietas especiais para reduzir o risco de aspiração; naqueles com disfagia grave, pode ser necessária a realização de gastrostomia, embora permaneça o risco de aspiração de saliva.

A otimização da higiene bucal e o acompanhamento com fonoaudiólogo podem ajudar a prevenir o desenvolvimento de pneumonia em pacientes com broncoaspiração repetida. 

Assista o vídeo  https://youtu.be/yZhMM7Gou9Q e entenda por que, em condições normais, a comida não vai para os pulmões.


sábado, 12 de setembro de 2020

Pesquisa do Reino Unido busca um melhor tratamento para asma infantil

Fonte: Nursing Times Careers
 

Um artigo recente, publicado originalmente na página National Health Executive, aborda a realização de uma pesquisa que visa encontrar um melhor tratamento para a asma infantil no Reino Unido. A pesquisa investigará se o uso preventivo do inalador, somente quando a criança apresenta sintomas, pode ser tão eficaz quanto o uso tradicional (uso diário, independente da existência de sintomas).

No Reino Unido, mais de um milhão de crianças sofrem com a doença, cujos principais sintomas são a tosse e a dificuldade para respirar. A asma provoca a morte de, pelo menos, 20 crianças por ano e, a cada 20 minutos, uma criança é hospitalizada pelo mesmo motivo no país.

Como medida para evitar as crises e reduzir os sintomas, profissionais de saúde recomendavam tradicionalmente o uso diário do inalador preventivo, a base de esteróides, como principal tratamento. No entanto, recentemente novas diretrizes passaram a reconhecer que nem todas as crianças necessitam do uso de inalador todos os dias. Assim, em casos de asma leve, os inaladores só seriam necessários quando ocorressem sintomas. As mudanças são pautadas em resultados de pesquisas recentes em adultos e adolescentes, mas esses resultados não mostraram o risco de uma crise de asma nos casos em que os inaladores só foram usados quando existiam sintomas.

O novo estudo pretende trazer as respostas sobre o uso do inalador em crianças. Denominado “Avaliação dos sintomas versus terapia preventiva de manutenção para o tratamento ambulatorial de Asma em crianças (ASSINTOMÁTICO)”, o estudo envolverá cerca de 250 clínicas, com a participação de crianças de 6 a 16 anos, de acordo com a concordância dos pais. Serão utilizados os dados dos registros eletrônicos de saúde e os cuidados serão como os da prática rotineira.

O Professor Clínico Associado Ian Sinha, do Alder Hey Children's NHS FT,  co-Investigador chefe, disse que: “O estudo vai responder a uma das questões mais prementes e importantes sobre os fundamentos do tratamento da asma infantil.” Disse também que “Dadas as diferenças entre asma pediátrica e adulta, é justo que façamos estudos em crianças”. E aí está a grande importância ou valor da pesquisa.


Leia mais em: National Health Executive


sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Asma: quando a genética fala mais alto

Fonte da imagem: Health Line
Fonte da imagem: Health Line

 

A asma é a doença crônica pulmonar que mais acomete pessoas no Brasil e no mundo. A doença atinge de crianças pequenas até idosos. Mesmo, uma pessoa em tratamento regular pode ter uma crise a qualquer momento. Isso coloca a asma no foco de investigações e pesquisas médicas.

A patologia, como pode ser visto em outros artigos aqui do nosso blog, atinge diretamente a capacidade respiratória, causando tosse, aperto no peito e falta de ar, entre outros sintomas. Trata-se de um processo inflamatório crônico que afeta os brônquios, tornando-os mais estreitos e dificultando a passagem de ar nos pulmões. Dentre as suas causas, destacam-se os fatores de predisposição genética, mas que peso esses fatores têm sobre ter ou não ter a doença?

Em geral, quando uma pessoa procura assistência médica em virtude da doença, é feita uma avaliação inicial onde é perguntado sobre o histórico de saúde dos familiares. Nesse momento, na maioria das vezes, é possível identificar a existência de outras pessoas na família que apresentam relato compatível com a doença. Mas nem por isso a asma pode ser considerada uma doença hereditária, na verdade, ela  é considerada uma doença multifatorial com forte influência genética. De acordo com especialistas, o que se observa é que filhos de pais com histórico de manifestações alérgicas, possuem maior chance de desenvolver asma, rinite ou outra patologia relacionada.

Nesse sentido, diversos estudos científicos vêm sendo desenvolvidos visando compreender o papel dos fatores genéticos na patogenia da asma. No entanto, o processo é difícil, tendo em vista sua natureza multigênica ou poligênica - há um grupo bastante variado de genes envolvidos. O que se tem de fato, é que essa diversidade de genes, além de influenciar o ter ou não asma, também pode influenciar a gravidade da doença e como o paciente responde ao tratamento. Um estudo de Barnes (2015) conclui que “Apesar dos recentes avanços na identificação da variação genética relacionada à asma, neste momento não há nenhuma utilidade clínica estabelecida para esses achados.” O que significa dizer que ainda há um longo trajeto pela frente.

 

Para ler o estudo citado, clique em Barnes, 2015 





sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Poluição do ar é o segundo maior perigo global à saúde humana

Fonte: Getty Images 

A poluição do ar por material particulado reduz em 1,9 ano a expectativa média de vida em todo o mundo. Atualmente, é o segundo maior risco à saúde humana, perdendo apenas para a Covid-19, mas deve voltar a ser o primeiro quando a pandemia for controlada. 

A conclusão é da nova edição do relatório Air Quality Life Index (AQLI), elaborado pelo Energy Policy Institute, da Universidade de Chicago, dos Estados Unidos. O documento mostra que, na média global, as pessoas estão expostas à poluição por material particulado em concentrações de 29 µg/m³, quase três vezes o máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 10 µg/m³. 

A má qualidade do ar é mais perigosa para a saúde do que o uso de cigarro (encurta a vida em 1,8 ano), álcool e drogas (11 meses), falta de água limpa e saneamento básico (6 meses), acidente (5 meses), HIV/Aids (4 meses), malária (3 meses) e até guerras e terrorismo (23 dias). 

Segundo o relatório do Energy Policy Institute, 79% da população global vive em áreas onde a concentração de material particulado excede o limite, o que faz com esse problema afete muito mais indivíduos (5,9 bilhões) do que qualquer outra condição. 

Situação no Brasil

No Brasil, de acordo com o AQLI, a concentração de material particulado no ar é de 9 µg/m. 

"Em São Paulo, a média está em torno de 28 µg/m³, quase o triplo dos 10 µg/m³ recomendados pela OMS", afirma a especialista Nathalia Villa dos Santos, professora da Faculdade de Saúde Pública e pesquisadora do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental, ambos da Universidade de Paulo (USP). "Com exceção da região Sudeste, sobretudo São Paulo, que conta com uma rede ampla da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), e algumas capitais da Sul, o país não tem um monitoramento adequado de emissão de poluentes, o que dificulta saber a real situação", acrescenta. 

Ainda de acordo com a pesquisadora, a má qualidade do ar em São Paulo reduz a expectativa de vida em cerca de um ano e meio. Na capital paulista, a estimativa é que ocorrem mais mortes em decorrência dessa condição do que por acidentes de trânsito, cânceres de mama e próstata e AIDS.

São vários os agentes poluentes que fazem mal para a saúde, e cada um deles atinge o organismo de uma forma e com diferentes efeitos deletérios, como dor e ardência nos olhos, nariz e garganta, tosse seca, cansaço, dor de cabeça, rouquidão, desenvolvimento ou agravamento de problemas respiratórios, alérgicos, cardiovasculares e câncer, diminuição da fertilidade e prejuízos no desenvolvimento fetal.

O mais perigoso é o material particulado. Formado por uma mistura de compostos químicos, ele fica suspenso no ar na forma de poeira, neblina, aerossol, fumaça e fuligem, entre outros, e tem como principais fontes processos de combustão (industrial, veículos automotores) e aerossol secundário (formado na atmosfera) como sulfato e nitrato. Essas partículas, quando inaladas, atingem os alvéolos pulmonares durante as trocas gasosas e chegam até a corrente sanguínea. 

É importante entender que a poluição afeta as pessoas de maneira distinta. No geral, crianças, pela imaturidade de suas defesas, e idosos, por terem um sistema imune menos eficiente e comorbidades próprias da idade avançada, são mais sensíveis. 

Leia mais em: BBC Brasil 

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Radiografia: perguntas e respostas

Fonte da imagem: Axis Imaging News

A radiografia, ou raio-x, é um dos exames mais usados para diagnóstico em nosso país. Trata-se de um método não invasivo, com resultado rápido e que tem baixo custo, sendo bastante útil, principalmente em emergências e unidades básicas de saúde e, mesmo, em UTI’s - visto que há versões portáteis do aparelho que realiza o exame. Grande parte da população já foi submetida a radiografia, em algum momento da vida, e deve se recordar das chamadas chapas. Atualmente, há versões digitais do exame (como o que é visto na imagem acima) e que, por isso, descartam as velhas chapas de acetato. Mas então, vamos entender um pouco melhor sobre o exame?

Obs.: Usa-se raio-x com hífen para fazer referência à radiografia - o exame propriamente dito. Já o termo raios X, se refere a radiação ionizante necessária na realização do exame.

Como funciona?
Um gerador emite um feixe de raios X direcionado a parte do corpo a ser examinada. O raio atravessa o corpo e projeta a imagem em um filme fotográfico ou um equipamento digital, localizados no detector. O resultado é uma espécie de fotografia em preto e branco. As partes do corpo que são mais densas absorvem mais radiação e projetam imagens mais claras. Por esse motivo, os ossos aparecem mais brancos e outras partes do corpo aparecem mais escuras. Desse modo, a intensidade dos raios e o tempo de exposição são regulados de acordo com a parte do corpo a ser examinada – algum erro nesta parte do exame, pode acarretar radiografias muito brancas ou muito opacas, o que dificulta a sua interpretação.

A origem
O raio-x, foi o primeiro exame de imagem desenvolvido. Seu mecanismo foi descoberto por acaso em um laboratório, na Alemanha em 1895, pelo físico Wilhelm Conrad Roentgen. O nome, raio X, foi dado em virtude de Roentgen considerá-lo ainda um enigma. A primeira radiografia, segundo estudiosos, foi realizada em 22 de dezembro de 1985 – Roentgen radiografou a mão de sua esposa Anna Bertha. Já no Brasil, há uma indefinição sobre quem realizou e em que data. Três pesquisadores disputam o feito, Silva Ramos em São Paulo, Francisco Pereira Neves no Rio de Janeiro, Alfredo Brito na Bahia e outros físicos no Pará. Sabe-se, no entanto, que ocorreu em 1896.

Usos médicos
Na radiografia podem ser vistas imagens da estrutura interna do organismo (ossos, órgãos, músculos, entre outros). Nesse sentido, o exame permite a identificação de anormalidades e permite a indicação de um tratamento mais adequado a cada caso. Outro uso bastante importante do raio X está na radioterapia. Este é um tratamento que se concentra na utilização de radiações ionizantes com foco no combate a células de um tumor.

Radiografia do Tórax
Quando um paciente apresenta tosse, dificuldade para respirar e ou dor no peito, após avaliação geral da história dos sintomas e exame físico, o médico pode solicitar a realização deste exame. Mas também pode ser solicitado em casos que envolva um trauma e para realização de avaliação pré-operatória. Assim, havendo suspeita de doença cardíaca, doença pulmonar, como pneumonia, tuberculose, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), fratura na região, entre outras, o médico pode solicitar a radiografia de tórax.
Abreugrafia – Em 1936, o médico brasileiro Manuel Dias de Abreu desenvolveu um método ainda mais simples, eficiente e econômico de aplicar o raio X. O método permitia tirar pequenas chapas radiológicas para avaliar os pulmões e permitir o diagnóstico da tuberculose. O exame passou a ser usado no mundo todo e, por esse feito, Abreu foi indicado ao prêmio Nobel em 1950. No Brasil, no dia 04 de janeiro se comemora o “Dia Nacional da Abreugrafia”.

Usos não médicos do raio X
O raio X tem múltiplos usos e, dentre os mais comuns, podemos destacar o uso em aeroportos para identificar transporte ilegal de drogas, contrabando etc. e monitoração ambiental. Dentre os menos comuns ou mais recentes, temos o uso em alimentos para prolongar a validade, para análise de estruturas de engenharia, no desenvolvimento de produtos eletrônicos.

A radiação
O raio X se constitui em um feixe de radiação ionizante de alta energia, com capacidade de penetrar objetos, organismos vivos e atravessar tecidos. A radiação é absorvida em maior ou menor grau, dependendo da densidade do alvo. A absorção prolongada pode trazer riscos à saúde, por isso a exposição de pacientes precisa ser controlada e os profissionais que atuam diretamente na realização do exame, possuem uma regulamentação própria da atividade, tendo que usar equipamentos de proteção, como aventais de chumbo. Cabe ressaltar que a modernização dos equipamentos tem garantido maior eficiência e segurança. Além disso, um exame de raio X convencional expõe o paciente a uma radiação até 2,5 vezes menor do que uma tomografia, por exemplo.

Contraindicações do raio-x
A principal contraindicação para a realização de raio-x é a gravidez - mulheres grávidas não devem ser submetidas ao exame, principalmente nos três primeiros meses da gestação. No caso da realização do exame com uso de contraste, principalmente quando se trata de radiografia de abdômen, há contraindicações para portadores de doença renal e doença da tireoide.

Saiba mais lendo o artigo: Raios-x: fascinação, medo e ciência

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Pontas de cigarros poluem o meio ambiente




Texto: Sonia Catarina de Abreu Figueiredo (médica pneumologista. professora da Faculdade de Medicina UFRJ)

As pessoas fumam ou mascam tabaco há milênios, mas foi a invenção da máquina de enrolar cigarros no final do século XIX que aumentou drasticamente a produção e deu início ao caminho da popularidade do cigarro. O século XX viu uma explosão de tabagismo e durante a maior parte desse período, os filtros de cigarro foram inexistentes.

À medida que os impactos à saúde tornaram-se claros, houve um aumento da preocupação pública com os potenciais malefícios do tabagismo. As empresas de tabaco buscaram soluções numa tentativa de “reduzir o alcatrão e a nicotina” e, no final da década de 1950, as vendas de cigarros com filtro ultrapassaram as de cigarro sem filtro.

Fumantes em todo o mundo consomem cerce de 6,5 trilhões de cigarros a cada ano. São 18 bilhões por dia. Embora a maior parte do invólucro do cigarro se desintegre quando fumado, nem tudo se queima. Trilhões de filtros de cigarro – também conhecidos como pontas ou bitucas – sobram e apenas um terço deles é descartado no lixo. O resto é jogado casualmente na rua ou pela janela dos prédios e automóveis.

Os filtros de cigarro são feitos de um plástico chamado acetato de celulose. Os filtros podem levar anos para se degradar e, mesmo quando isso acontece, eles se quebram em pequenos pedaços de plástico, chamados microplásticos, que são um perigo crescente. Quando jogados no meio ambiente, eles despejam não apenas esse plástico, mas também a nicotina, metais pesados e muitos outros produtos químicos que absorveram no meio ambiente.

As pontas de cigarro estão no topo da lista de detritos encontrados durante a limpeza de praias. Bilhões costumam entrar em cursos d’água e oceanos, onde permanecem e tornam-se perigosos para os animais marinhos, que podem comê-las.

Pontas de cigarro são poluição tóxica de plástico. Os filtros armazenam alguns dos produtos químicos que os fumantes inalam - não o suficiente para ajudar a saúde dos fumantes, mas o suficiente para matar peixes que vivem perto de pontas de cigarro descartadas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

BCG e Covid: a vacina e o que diz a mídia


A vacina BCG possui uma longa trajetória. Foi desenvolvida entre 1906 e 1919 por profissionais franceses no Instituto Pasteur: o médico e bacteriologista León Charles Albert Calmette e o veterinário e microbiólogo Jean-Marie Camille Guérin. A vacina foi aplicada pela primeira vez, ainda em formato oral, no Hospital de Caridade em Paris em 1921, em um recém-nascido cuja avó estava com tuberculose. Mas foi somente em 1942 que foi reconhecida como eficaz para imunização da tuberculose pela Academia Nacional de Medicina de Paris. E apenas em 1948, a Organização Mundial da Saúde passou a incentivar seu uso.

No Brasil
No Brasil, a primeira aplicação ocorreu em 1927 após o Professor Arlindo Raymundo de Assis, médico e cientista, ter testado a vacina em coelhos e bovinos com resposta eficiente. A partir daí a vacinação no país começou a ser ampliada, mas somente em 1968 foi iniciada a aplicação por via intradérmica. Desde 1976 o Ministério da Saúde tornou obrigatória sua aplicação em crianças. Por ano, o Brasil chega a produzir 15 milhões de doses, visando atender a demanda nacional.

O que previne
A vacina BCG é comprovadamente eficaz no combate formas graves da doença em crianças, como a meningite tuberculosa e apresentações disseminadas - ela ativa o sistema imunológico contra o agente transmissor (bacilo de koch).

Para quem
O Programa Nacional de Imunização prevê a aplicação em dose única em crianças de 0 a 4 anos - preferencialmente no bebê recém-nascido. Contra-indicações: peso inferior a 2kg, imunodeficiência, desnutrição, erupções cutâneas generalizadas e realização de tratamento com corticóides.

A marca

A famosa marca no braço que identifica as pessoas que tomaram a vacina, na verdade, é muito mais consequência do tipo de agulha usado do que da própria vacina - o uso de uma microagulha pode suavizar a lesão, fazendo com não existam marcas de identificação. No Japão, por exemplo, onde 100% da vacinação é feita por microagulhas, as pessoas desconhecem a marca da vacina¹. (Dhanawade, 2015).


BCG e Covid-19
Recentemente a vacina se tornou alvo de muitas notícias na mídia, em virtude de pesquisas realizadas no mundo, em especial uma da Universidade de Michigan², Estados Unidos. Resultados da pesquisa apontam que países em que a vacinação da BCG é obrigatória, em geral apresentaram menores taxas de infecção e morte por Covid-19. A partir de cálculos matemáticos, a pesquisa encontrou uma correlação entre vacinação da BCG e casos de Covid. Agora é necessário encontrar caminhos para comprovação ou não dessa relação.

Uma outra pesquisa que está sendo realizada, visa fazer com que a bactéria usada para fazer a BCG produza antígenos do vírus SARS-CoV-2 para imunizar as pessoas. O resultado seria uma vacina que proteja duplamente contra tuberculose e a Covid-19. A pesquisa é resultado de uma parceria entre as universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e de Santa Catarina (UFSC), o Instituto Butantan, de São Paulo e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Doenças Tropicais (INCT-DT), tendo ainda a colaboração da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e do Instituto Karolinska, na Suécia.

Assim, não há ainda qualquer comprovação sobre a efetividade da BCG na prevenção de infecção por Covid-19 e, por isso, não é recomendável que qualquer pessoa, fora do grupo já previsto pelo Programa Nacional de Imunização, tome a vacina. O que existe são pesquisas em desenvolvimento e que precisam de tempo para apresentar resultados definitivos. Sendo assim, continuamos na recomendação dos cuidados de prevenção e higiene frequente.

¹ Dhanawade SS, Kumbhar SG, Gore AD, Patil VN. Formação de cicatrizes e conversão de tuberculina após a vacinação com BCG em bebês: um estudo de coorte prospectivo. J Family Med Prim Care . 2015; 4 (3): 384-387. doi: 10.4103 / 2249-4863.1613 - Leia o artigo clicando AQUI

² A vacinação obrigatória com Bacillus Calmette-uérin (BCG) prevê curvas achatadas para a disseminação do COVID-19, Revista Science Advance - leia clicando AQUI

sábado, 1 de agosto de 2020

Adolescência e fumo, como a iniciação precoce pode dificultar a parada na vida adulta

Fonte da imagem: Teens - Drug Abuse

A iniciação do uso de drogas na adolescência é um tema exaustivamente discutido entre especialistas há muito tempo. A experimentação nessa fase pode desencadear a dependência e causar transtornos para o resto da vida. Isso acontece porque, segundo a Professora Rosana Camarini, do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/USP): “Durante a adolescência ocorrem mudanças biológicas muito importantes. Alguns sistemas, como o inibitório, não estão amadurecidos. É um sistema importante para controlar determinadas atitudes do indivíduo” (Leia mais em: USP). Inclui-se aí a área cerebral responsável pela tomada de decisões, que por não estar bem desenvolvida, deixa o adolescente mais propenso a situações de risco. Nesse sentido, se a dependência química desenvolvida e instalada na adolescência alcança a idade adulta, pode alçar um status mais severo, pois passa a fazer parte da estrutura do indivíduo (sistemas, comportamentos, lembranças etc.).

Seguindo esse tema, um estudo publicado Journal of the American Heart Association, nos EUA, no mês de abril, reafirmou que as dificuldades de interromper o hábito de fumar na vida adulta, se torna ainda mais severo quanto mais cedo o indivíduo começou a fumar. Para a pesquisa, foram colhidas informações de 6.600 indivíduos nos EUA, Austrália e Finlândia - sendo 57% do sexo feminino.

Trata-se do estudo com o mais longo acompanhamento de fumantes realizado até aqui, onde foram observados os padrões de fumo de acordo com as faixas etárias: entre 6 e 19 anos, entre 20 e 30 anos e depois dos 40. A principal conclusão foi de que "há prevalência do vício em fumar cigarros para quem já fumava na adolescência" - o que foi semelhante entre os participantes dos três países - e que " o vício em nicotina é mais forte quando se começa a fumar na infância".

De acordo com o estudo, quanto mais cedo as pessoas começaram a fumar, maior a probabilidade de se transformarem em dependentes e menor a de conseguirem deixar de fumar na faixa de 40 anos.

Principais resultados da pesquisa:

* Primeira experimentação entre 18 e 19 anos: apenas 8% se tornaram fumantes diários entre 20 e 30 anos;

* Primeira experimentação entre 15 e 17 anos: 33% se tornaram fumantes diários entre 20 e 30 anos;

* Primeira experimentação entre 13 e 14 anos: 48% se tornaram fumantes diários entre 20 e 30 anos;

* Primeira experimentação entre 6 e 12 anos: 50% se tornaram fumantes diários entre 20 e 30 anos.

Além disso, dados sugerem que "crianças que apenas experimentaram cigarros, poucas vezes, se mostraram mais propensas a adquirem o hábito regular.

Pensando que, no mundo, cerca de 270 milhões fumam diariamente, que nos EUA 87% dos fumantes iniciaram o tabagismo antes dos 18 anos e que no Brasil a idade média de experimentação é de 16 anos, liga-se o alerta sobre a necessidade da prevenção. De acordo com Rose Marie Robertson, responsável pela American Heart Association, os resultados do estudo reiteram "a importância de manter o tabaco longe dos jovens até 21 anos."

Fonte do texto original: Viva Bem

Leia o estudo na íntegra: Journal of the American Heart Association

sábado, 25 de julho de 2020

O tratamento da tuberculose não deve ser descuidado


“As autoridades de saúde devem manter o apoio aos serviços essenciais para a tuberculose, incluindo cuidados durante emergências como o covid-19”, destaca a OMS.

A organização lembra que “pessoas doentes com tuberculose e covid-19 poderão ter resultados piores no tratamento, sobretudo se o tratamento da tuberculose for interrompido”.

"A pandemia de Covid-19 está mostrando como as pessoas com doenças pulmonares e imunidade enfraquecida são vulneráveis", afirmou o diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.

Os doentes com tuberculose, que têm sintomas comuns com o covid-19, como tosse, febre e dificuldades respiratórias, devem “tomar precauções para se proteger do covid-19 e continuar o tratamento”.

A OMS defende que é preciso “limitar a transmissão de tuberculose e de Covid-19 em ambientes comuns e em instalações de saúde”.

Embora os métodos de transmissão das duas doenças sejam ligeiramente diferentes, aplicam-se a ambas medidas preventivas como “controle e prevenção de infecções, cuidados com a tosse e segregação de casos suspeitos”.

Para as duas doenças são essenciais “teste de diagnóstico confiáveis” e a garantia de tratamento antituberculose para todos os afetados, incluindo os que estejam de quarentena por suspeita de infecção pelo novo coronavírus.

Estima-se que cerca de um quarto da população mundial esteja infectada com a bactéria que causa a tuberculose. Embora possam não estar doentes nem contagiar ninguém, estão em risco acrescido de desenvolver a doença.

A tuberculose, segundo a OMS, ainda é a doença infecciosa que mais mata em todo o mundo: em 2018, morreram 1,5 milhão de pessoas, 251 mil com HIV, o que as torna especialmente vulneráveis.

Leia mais em: Agência Brasil

domingo, 12 de julho de 2020

Câncer de pulmão: é importante estar atento aos sinais e sintomas


O câncer de pulmão é a segunda neoplasia maligna mais comum em homens e mulheres no Brasil (sem contar o câncer de pele não melanoma). É também o primeiro tipo de câncer em todo o mundo desde 1985, tanto em incidência quanto em mortalidade. Cerca de 13% de todos os casos novos de câncer são de pulmão.

As estimativas de novos casos no Brasil em 2020 são 30.200, sendo 17.760 homens e 12.440 mulheres (Fonte: INCA – 2020).

O tabagismo e a exposição passiva ao tabaco são importantes fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão. Em cerca de 85% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco.

A taxa de incidência vem diminuindo desde meados da década de 1980 entre homens e desde meados dos anos 2000 entre as mulheres. Essa diferença deve-se aos padrões de adesão e cessação do tabagismo constatados nos diferentes sexos.

Os sinais da doença em sua fase inicial podem ser sutis e sintomas mais relevantes só aparecem quando a doença está avançada. Tosse, expectoração e dor torácica são queixas comuns em indivíduos tabagistas e, muitas vezes, são negligenciados quanto ao seu significado e importância.

A mudança do tipo de tosse, o surgimento de dor torácica localizada ou que se intensifica com a respiração e a mudança da expectoração com a presença de sangue no escarro, por exemplo, são sinais que podem sugerir a presença de câncer de pulmão. Em alguns casos, pode ocorrer alteração do timbre da voz, tipo rouquidão, sugerindo um comprometimento do nervo laríngeo pela neoplasia. Sintomas gerais como anemia e emagrecimento também podem ocorrer.

Algumas práticas contribuem para a prevenção do câncer de pulmão: não fumar, evitar o tabagismo passivo e evitar a exposição ocupacional a agentes químicos como asbesto, berílio, níquel, radônio e urânio.

A detecção precoce do câncer é importante para diagnosticar o tumor em fase inicial e possibilitar maior chance de tratamento. O tratamento do câncer de pulmão depende do tipo histológico e do estágio da doença, podendo ser tratado com cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, isoladas ou combinadas.

O prognóstico do câncer de pulmão está intimamente relacionado ao estágio da doença em que o diagnóstico é firmado. A taxa de sobrevida relativa em cinco anos para câncer de pulmão é de 18% (15% para homens e 21% para mulheres). Apenas 16% dos cânceres são diagnosticados em estágio inicial (câncer localizado), para o qual a taxa de sobrevida de cinco anos é de 56%.

Leia mais em: INCA

domingo, 5 de julho de 2020

Asma na idade adulta e suas crises

Fonte da imagem: Express

Quando falamos de asma, a maioria das pessoas associam a doença a crianças – período da vida em que ela é mais frequentemente diagnosticada. Mas esta patologia pode aparecer em qualquer fase da vida. Na verdade, algumas pessoas só vão apresentar sintomas na idade adulta, ou mesmo após os 65 anos de idade, sendo por isso classificada como asma de início tardio. Nesses casos a doença costuma apresentar sintomas mais frequentes e exigir maior empenho no tratamento para controle. Além disso, os sintomas da asma em adultos podem ser mais graves e a doença pode ser mais letal, causando até quatro vezes mais mortes que em crianças.

Nesse sentido, o controle da doença se torna fundamental: o paciente e seu médico de referência precisam reconhecer os principais gatilhos (fatores ambientais, esforços etc.) para as crises e identificar as reações obtidas com os medicamentos a fim de traçar o melhor tratamento. Identificar as melhores condutas, medicamentos e suas dosagens, vai ajudar no controle, redução do número de crises e de sua gravidade, evitando, inclusive, hospitalizações desnecessárias.

Mas o que fazer quando uma pessoa tem uma crise de asma? Como identificar uma crise?

Uma pessoa com asma pode apresentar sintomas como dificuldade para respirar, chiado/sibilo, aperto no peito e tosse, entre outros. No entanto, esses sintomas podem se tornar mais intensos caso o paciente se exponha a algo que induza uma crise alérgica (mofo, poeira, fumaça, pólen...),a ainda se ele contrair uma gripe ou realizar esforços físicos, condições que podem desencadear uma crise. Quanto mais intensos são os sintomas, mais grave é a crise. Algumas pessoas não apresentam o chiado/sibilo, podendo dificultar a diferenciação de uma crise de asma para uma crise alérgica ou crise de ansiedade, por exemplo – daí a importância de um acompanhamento médico regular. A crise de asma se caracteriza pela inflamação e bloqueio das passagens de ar nos brônquicos, dificultando a respiração.

Durante uma crise, a primeira coisa a fazer, além de tentar manter a calma e manter a respiração lenta, é o uso adequado de um inalador que servirá para relaxar a musculatura brônquica, dilatando as vias e facilitando a respiração. Chamado de medicação de resgate, o uso dessa substância permite ao paciente ter tempo de chegar a uma emergência, se necessário. Por isso, deve estar sempre disponível para uso, sendo importante levá-lo consigo onde quer que vá.

Alguns passos importantes durante uma crise:
1. Se afastar dos possíveis gatilhos (poeira, fumaça ou outros).
2. Sentar-se na vertical e evitar deitar-se para manter as vias aéreas livres.
3. Tentar respirar mais devagar, uma respiração rápida pode piorar os sintomas.
4. Procurar atendimento médico, caso não melhore com a medicação de resgate.
5. Nunca subestimar a gravidade de uma crise.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Vírus podem ser perigosos para bebês

Foto: Dimitris66 / IStock / Ilustrações: Erika Vanoni/SAÚDE é Vital

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) preocupa os pais de bebês prematuros, cardiopatas ou com problemas crônicos no pulmão. Em crianças de até 2 anos, esse agente infeccioso é responsável por 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias durante seu período de maior incidência.

O Vírus Sincicial Respiratório é transmitido através de aerossóis emitidos a partir de pessoas infectadas ou por superfícies e objetos contaminados. A infecção ocorre quando atinge olhos, boca, nariz ou pela inalação de gotículas derivadas da tosse ou espirro.

O tempo de vida do vírus nas mãos é de menos de uma hora. No entanto, em superfícies duras e não porosas, pode durar aproximadamente 24 horas. O período de incubação da doença é de quatro a cinco dias, mas pacientes pertencentes aos grupos de riscos podem transmitir o vírus por 3 a 4 semanas após o contágio inicial.

Geralmente, a sua sazonalidade acontece predominantemente no outono e no inverno. Mas, no Brasil, a sazonalidade varia dependendo da região geográfica. Ela se inicia mais precocemente na região Norte (janeiro) e Nordeste (fevereiro) do país, coincidindo com o período chuvoso. As regiões Centro-Oeste e Sudeste possuem seus picos de incidência de março a julho, enquanto, no Sul, a sazonalidade acontece entre abril e agosto, período em que também circula o vírus da gripe.

De 10 a 15% dos casos entre os menores de 2 anos exigem internação hospitalar às vezes até na UTI, com uso dos respiradores. Abaixo dos 5 anos, há maior risco de formas graves e morte.

Segundo artigos publicados nas revistas científicas The Lancet e The New England Journal of Medicine, o VSR é responsável por cerca de 33,8 milhões de episódios de infecção respiratória por ano em crianças com menos de 5 anos de idade, levando a cerca de 3,4 milhões internações de casos mais graves. Anualmente, são de 70 mil e 200 mil mortes — 99% delas em países em desenvolvimento como o Brasil.

Praticamente todas as crianças serão expostas ao VSR até os 2 anos de vida, sendo que a maioria é infectada no primeiro ano de vida, com possibilidade de reinfecções ao longo da vida. Nos adultos, ele não traz maiores danos e seus sintomas são semelhantes a um simples resfriado. Porém, esse grupo pode ser um disseminador do vírus nas crianças menores de 5 anos.

Para a prevenção da doença, deve-se evitar que os bebês permaneçam em ambientes fechados com aglomerações de pessoas, além da imprescindível higienização frequente das mãos e dos objetos. O contato com crianças ou adultos resfriados ou gripados também deve ser evitado.

Mesmo durante a pandemia do coronavírus, outras doenças infecciosas não desapareceram e merecem receber os cuidados devidos.

leia mais em: Veja Saúde

domingo, 21 de junho de 2020

Cigarros apagados poluem


Qual o potencial de poluição de um cigarro? Os danos causados vêm apenas de sua fumaça? Definitivamente não. De acordo com uma reportagem do site Super Interessante, os componentes tóxicos de um cigarro continuam ativos por mais de cinco dias depois de ser apagado. Em 24 horas um cigarro apagado libera 14% da nicotina que um cigarro acesso emite.

A conclusão é de uma pesquisa do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, solicitada e financiada pelo Food and Drug Administration (FDA que regula produtos relacionados à saúde (medicamentos, comida, cosméticos, tabaco, entre outros).

Durante a pesquisa foram utilizados mais de dois mil cigarros. Foi analisada a concentração de químicos presentes em cigarros recém apagados e observou-se que a emissão dos poluentes continuou durante dias. Um cigarro fumado na segunda-feira continuou emitindo poluentes até o sábado seguinte.

A estimativa de cinco trilhões de bitucas, produzidas por fumantes anualmente, traz um resultado significativo para a saúde humana e para o meio ambiente. Quanto mais quente é o ambiente onde o cigarro é descartado, mais rapidamente os poluentes são liberados. Em lugares fechados, como casas e carros, o problema ainda é mais grave – imagine crianças respirando o ar dentro de um carro onde há restos de cigarros. No Brasil, o clima tropical ainda pode piorar mais a situação.

Diante de tudo isso, torna-se fundamental descartar corretamente os cigarros apagados – seja em coletores apropriados ou lixeiras comuns – e nunca os deixar dispersos no ambiente. Cigarros descartados de forma errada prejudicam a saúde das pessoas e contaminam o solo, uma vez que o cigarro pode demorar até 10 anos para se biodegradar.

Leia mais em: Super Interessante

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Por que algumas pessoas que não fumam têm DPOC?

*Fonte da imagem: Robina Weermeijer / unsplash.com

Esta semana, uma pesquisa divulgada pelo National Institutes of Health (NIH) ganhou as manchetes. O estudo aponta que pessoas com vias aéreas desproporcionalmente pequenas possuem maior risco de desenvolver DPOC, mesmo que não fumem. Reproduzimos abaixo parte da matéria do NIH.

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma doença pulmonar debilitante e que, geralmente, se desenvolve como consequência do tabagismo. No entanto, os pesquisadores há muito tempo se perguntam por que quase um terço dos casos ocorre em pessoas que nunca fumaram. Agora eles podem finalmente ter uma resposta - e isso pode estar relacionado a forma como os pulmões se desenvolvem em cada pessoa.

A DPOC, quarta principal causa de morte nos Estados Unidos, causa bloqueio do fluxo de ar e problemas respiratórios que podem limitar severamente as atividades diárias de uma pessoa. O ato de fumar, ter asma ou estar submetido a um ambiente com níveis altos de poluição do ar, são as principais condições responsáveis por muitos casos de DPOC. Apesar disso, até 30% dos casos ocorrem em pessoas fora dessas condições, o que sugere que existem outros fatores de risco.

Pesquisas anteriores ofereceram uma pista sobre uma possível causa, revelando que cerca de metade dos adultos com DPOC parecia já apresentar função pulmonar baixa no início da vida. O Dr. Benjamin Smith, médico pneumologista do Departamento de Medicina do Centro Médico Irving, da Universidade de Columbia, Nova York, membro da equipe do novo estudo, explicou o fenômeno. Segundo ele, quando as pessoas respiram, elas movem o ar pelas vias aéreas, começando pela traqueia, que se ramifica para as vias aéreas menores, chamadas brônquios e bronquíolos. À medida que as pessoas crescem, acredita-se que suas vias aéreas se desenvolvam proporcionalmente aos pulmões. No entanto, em algumas pessoas, as vias aéreas se tornam menores ou maiores que o esperado - uma condição chamada disanapsis - as razões não são claras.

Para descobrir se as vias aéreas pequenas podem ser as culpadas pela DPOC em pessoas que não fumam ou têm outros fatores de risco, uma equipe liderada pelo Dr. Smith analisou os registros, com exames de imagem, de mais de 6.500 idosos que participaram de três estudos que incluíam fumantes e não fumantes, com e sem DPOC. A chamada disanapsis foi avaliada a partir da tomografia computadorizada (TC).

Essas tomografias das vias aéreas (vermelho) e pulmões (preto) mostram o espectro de disanapsis, com vias aéreas menores em proporção ao tamanho do pulmão (esquerda) em comparação com as vias aéreas de tamanho normal (meio) e maiores que as vias aéreas normais (direita).

"Esses resultados mostram que pequenas vias aéreas em relação ao tamanho do pulmão são um fator de risco muito forte para a DPOC", disse o Dr. Smith, principal autor do estudo. "Isso nos ajuda a entender por que 30% da DPOC pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram". Com o envelhecimento normal, a função pulmonar diminui, então as pessoas, que já têm baixa função pulmonar, podem desenvolver DPOC mais tarde na vida, mesmo que não fumem, explicou o Dr. Smith.

Leia mais em NIH